quarta-feira, 2 de março de 2011
O Cálice
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Humanista, talvez nem tanto
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Mímica
O Mimo não é um fingidor, apenas tenta apaziguar à dor
Mascará-la de indisposição passageira
Disfarçar toda e qualquer tendência suicida e/ou homicida
Fugir da sua imensidão afugando-a noutra não menos real
Mas fantasiosa, imaginada e moldade por si
O actor apropriadamente distancia-se no terreno
Do seu antigo ser e cria outros tantos
O arrependimento não será eterno se não recordas quem fostes
Seja nesta vida, tenha sido noutra
Haverás ainda de me ver representar
A anterior teoria do fingimento
Com toda uma doentia devoção
Caí em desgraça comigo
Canibal hoje
Vampiro num ocasional amanhã
Ontem? Quem quer saber do ontem...
Mergulhei tão fundo que já sou estes meus reflexos
Espelho rachado, despedaçado em inúmeros bocados
Sou todos eles e no fim...não sou ninguém
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A tua esperança jaz morta além
Na luz que doura a meu lado
Sois apenas uma gota estagnada na poça
Na poça que jaz além
Esperança, tentadora da fraca carne
Sorrateira te infiltras alma adentro
Corroendo barreiras, quebras o silêncio...
Não entendas o desistir enquanto derrota
Dádiva de existir porque alguém um dia
Se lembrou de nos parir
Brutalidade da primeira inspiração
Que nunca me abandonou
Em muito me traumatizou
E nunca, nunca me deixou..
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Porque o Desprezo não tem preço
Questiono seriamente
Num claro pasmo céptico
Os derradeiros motivos que te
Permitem erguer uma e outra vez
Novo dia, nova tentativa
Toda essa vã euforia
Qual a Deusa degolada
A quem vós roubaste fascínio e beleza
Enojado comigo mesmo
Beijo-vos uma e outra vez
Amaldiçoando a Natureza, porque sim
Banhada em sangue divino sedes
A mais vil das criaturas, Medusa
O Problema ora lá está
Reside em mim, nunca em ti
"Não és tu, sou eu!"
Adoráveis instâncias de hipocrisia
Lamentáveis traços de satisfação
Amáveis memórias do Ontem
Ilumináveis dias do Amanhã
Mas vivo somente o Presente
E não há quem me ofereça uma solução
Não quero eufonismos
Não quero simplicidade
Não quero nada...
Estamos em saldos
Quer tudo fora daqui...
Que se leve tudo
Tudo sem excepção!
Porquê tanta admiração?
Aproveitem esta ocasião
Para se rodearem de bens sem utilização
Aqui tendes a minha real e concreta apreciação
O dinheiro, que farei com ele?
Jogarei fora com desprezo
Nas brasas do meu coração constrangido
Eremita no mais distante covil
Meditarei sobre nada
Sou egoísta a esse ponto
Dono nem de mim mesmo
E livre como só a mim me convém
Morte ao prisioneiro!
Morte ao prisioneiro!
Morte ao prisioneiro!
Que a Culpa, essa
É fatalmente do prisioneiro...
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Fulminado por um olhar...
Será que me atrevo
A derrubar todas as barreiras que construí
Por entre as trevas que me nutriram o espírito
Tornaram-me efectivamente aquilo que sou hoje e sempre
Contudo é hora de deixar o berço
Esvoaçar do ninho e guiar-me pelo Sol
Planar por entre planícies e montanhas
Seja por capicho ou por desejo necessito de reecontrar
Aquela Luz que me fascinou mal havia nascido
Cego, mudo e assustado vi o paraíso
Não durou um palpitar do meu coração
Mas senti ter descoberto logo ali o meu único fundamento
Sentido da minha existência por onde te escondes?
Talvez não te escondas...
Talvez estejas novamente a mostrar-me o caminho
Através das tuas misteriosas formas
Fascinante é realmente o cegar para com o resto
Mas ver com olhos de ver este admirável Mundo Novo
Tornado realidade ante meus velhos e cansados olhos
Que surgiram mais brilhantes após te contemplar novamente...
Narciso admirando a Natureza
Flor que brota entre as silvas
Joaninha que pousa entre mal-me-queres
Emanas uma aura de tranquilidade
Inquieta-me o sossego
Serás tu diferente?
Ou apenas o padrão da normalidade
Neste caos de insanidade
Juntemos as mãos e simplesmente
Seremos sem capicho de satisfazer
Os desejos alheios, seremos simplesmente
Algo que contrarie este Mundo