domingo, 3 de abril de 2011

Últimas Palavras?

"Haveis visto a minha alma?
Glorioso o dia do reencontro
A moribunda devassa
Voltará de rastos
Devastada pela maré

Não suporto mendicidade
Fazem-me pena
Incutem culpa e dor
Párias e cambada de rejeitados
Desta Sociedade em matilha
Gloriosa a Lei do mais forte

Imploro de joelhos
Leva-me a mente,
Deixai o resto...
Torelo a dor,
Ó infindável burburinho, Nunca!
Louco e enraivecido
Qual touro marcado em brasa
Avanço às cegas
Progresso nulo
Vida sem nexo
Olá mamã...

domingo, 27 de março de 2011

Dar à Costa

Em vestes rasgadas
De costas voltadas
Suportando poses desgastadas
Cuidadosamente se aborrece

Subitamente... êxtase!
Nova maravilha última
Incomum e basta

Suspeita rígida
Frígida até
Resposta a que preces,
Se sois descrente
Desgraçado descendente

Nega...
A recusa da felicidade
Confessa...
A tua genuína afinidade
Foge antes que seja tarde...
À deriva com deleito
Admito, sem jeito!
Contente sou sozinho
Em Mundo de mudança
A inconstante fascina-me
O que ficou por cumprir
Ficou no esquecimento

quarta-feira, 9 de março de 2011

Acamado em ressaca

Ao beber para esquecer
A doença apodera-se de mim
Sou compulsivo na desilusão
A expectativa quebra-me
Espiritualista incompreendido

A dor não desvanece
O meu mal é outro
Enche-me de drogas e afins
Torna-me um zombie sem mente
Torna-me imune à psicose
Que tão cruelmente recai
Sobre minha pesada alma

Porquê sair de casa
Se irei morrer de stress?
Porquê enfrentar o Mundo
Se só me fazem querer desaparecer?
É uma lenta forma de suicídio

Acamado de ressaca
Medito sobre meu destino
Qual futuro me resta agora
Que nem sei onde estou
Porque sou
Para onde vou
O que levará a levantar?
Quem me obrigará a continuar...

Não me dês atenção
Que não a quero
Oculto no escuro
Sofro do coração
Arrasta-me para baixo
Mas move-me, vá lá!
A inércia é tua amiga
Está quieto!
A cura não tarda
Espera sentado
Cansaste menos
Ignora tudo e todos
Crê plenamente em mim
Porque se te iludes a ti mesmo
Mais vale permanecer assim...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Arrepender é matar saudades

Este estranho mal-estar
Incomoda-me ao de leve
Como uma borboleta no meu estômago
Importuna-me nas horas mortas

Perante tão variado leque
Tanto por onde optar
Há razão para duvidar...

A dúvida embebeda-me
Deixa-me tolo e tonto
Terrível néctar esse
Completamente letal
Confuso e algo atordoado
Arrasto-me para longe
Mas qual minha sombra
Não me largaria por nada

Detestável mau hábito,
Arrepender é matar saudades

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Cálice

Desolado e estoirado
Profunda violação penetrante
Encerra ainda represálias
Cujo rumo se escreve a sangue

O engano é forte
Tremendo aliás
Venenoso e duradouro
Prevalece contrafeito
Na alegria do soturno

Noite de luar
Deslizar, divagar a céu aberto
Ilimitado é a adrenalina
De quem salta o penhasco
A resgatar a bela caída

Julieta espera-me
A morte ide unir-me a ti
Para lá desta vida, serei teu
Devoto assim, Romeu...


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Humanista, talvez nem tanto

Obcecado pelo suicídio
Mergulhado em puro delírio
Inesgotável saga
Em inesquecível vida
Apressada se encontra a alma
O tempo corre a seu favor

Não é o desespero
Muito menos o desinteresse
A curiosidade toma a forma
Da delicada lâmina
Que traça pelo corte a temporalidade
Curtas etapas subjectivas
Será ela também
Que ceifará a vida ao gato
Cuja sétima vida expira agora
De velhice se esqueceu
Como viver
Tem alternativa alguma
Senão ceder suas garras
A quem ainda as saiba usar

El-rei ide nu
Ruela abaixo pregando
De porta a porta prevê acontecimentos
"Esta nova maravilha" como a roga
Retorno à era anciã
De instinto, sobrevivência e selvajaria
É então que surge o Mago da corte
Possante em suas pesadas vestes
A resgatar nossa excelência da possessão demoníaca

Exorcismo à parte
Anjos lá alto em coro
Cantam deliciosos lamentos
Suas lágrimas puras
Tecem dor no peitos dos homens
Que em fim de contas feitas
Serão sempre homens
Homens e nada mais

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Mímica

O Mimo não é um fingidor, apenas tenta apaziguar à dor

Mascará-la de indisposição passageira

Disfarçar toda e qualquer tendência suicida e/ou homicida

Fugir da sua imensidão afugando-a noutra não menos real

Mas fantasiosa, imaginada e moldade por si

O actor apropriadamente distancia-se no terreno

Do seu antigo ser e cria outros tantos

O arrependimento não será eterno se não recordas quem fostes

Seja nesta vida, tenha sido noutra


Haverás ainda de me ver representar

A anterior teoria do fingimento

Com toda uma doentia devoção

Caí em desgraça comigo

Canibal hoje

Vampiro num ocasional amanhã

Ontem? Quem quer saber do ontem...

Mergulhei tão fundo que já sou estes meus reflexos

Espelho rachado, despedaçado em inúmeros bocados

Sou todos eles e no fim...não sou ninguém